Julio Villani se formou entre Brasil, onde cresceu e Europa, onde forjou sua identidade de artista.Seu duplo percurso é refletido pelas mostras individuais que se sucedem regularmente dos dois lados do Atlantico: Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2002; Maison de l’Amérique latine, Paris e Centre d’art contemporain 10Neuf, Montbéliard em 2005; Paço Imperial do Rio de Janeiro, 2009; Musée Zadkine, Paris, 2010…"Sua escolha deliberada por esse desdobramento e a forma construtiva que lhe imprimiu dão a sua obra uma dimensão dinâmica, que se determina, paradoxalmente, pela unidade. Onde outros seriam atingidos pela divisão e pela dispersão, Villani encontra matéria e motivo para concentração e reunião, seguindo à risca a obsessão de um olhar que busca revelar a face secreta das coisas. Fio, linha, risco, laço, rede, nó... a arte de Villani é habitada pela idéia de vínculo, lhe é consubstancial. Ela se caracteriza pela idéia de pólo, de contraponto, às vezes de oposição, e se constrói a partir da organização de um vaivém, de uma permuta ; é no âmago desta última, nesse “entre-dois”, que tudo se dá. Entrar na obra de Julio Villani é abandonar as idéias preconcebidas, aceitar questionar hábitos perceptivos, deixar-se guiar pelo humor de um pensamento peregrino, o qual nenhum dogma conduz. Percorre-la significa apreciar a que ponto a arte pode responder a questionamentos existenciais. O problema da identidade, subjacente a seu procedimento, não é apreendido apenas a partir da questão do traço, seja ele de separação, de união ou de equilíbrio, mas por um trabalho em torno da memória. O processo de recuperação adotado por Villani e o tipo de reciclagem a que ele submete os objetos que integra é sua forma de realizar a conjugação de duas temporalidades com o objetivo de constituir uma nova. De um lado há o objeto tal como ele é; do outro há esse “quê” de estranho que o artista lhe sobrepõe, e é no arranjo dos dois que a arte encontra sua razão de ser. À partir de antigas fotografias garimpadas em mercados de pulgas, Villani inventou para si uma família — sua “família francesa”, diz ele. Entre geologia e genealogia a distância é mínima : uma mesma dimensão palimpsesta caracteriza a idéia da sedimentação do espaço e do tempo. É por um processo análogo que a arte de Julio Villani se constitui e adquire corpo e raiz, independentemente de toda consideração de fronteiras, visando o surgimento de uma linguagem universal. " (Ph. Piguet)