Guy Veloso nasceu (1969)

 

Trabalha em Belém-PA, metrópole de 1,5 milhões de habitantes no coração da Amazônia. De formação acadêmica em Direito (1991), é fotógrafo desde 1989 com diversas publicações e mostras nacionais e internacionais.

 

A convite dos curadores Agnaldo Farias e Moacir dos Anjos participou da 29a Bienal Internacional de São Paulo/2010.

 

Foi curador-chefe de Fotografia Contemporânea Brasileira na XXIII Bienal Europalia Arts Festival, Bruxelas-Bélgica, 2011/12.

 

Compõe os acervos Essex Collection of Art from Latin America (ESCALA), Colchester-Inglaterra; Coleção Nacional de Fotografia, Centro Português de Fotografia, Porto-Portugal; Bilioteca Nacional, Rio de Janeiro; Museu da Fotografia de Curitiba; Banco de Dados Itaú Cultural - Projeto Rumos, 1ª edição; MABE-Museu de Arte de Belém-PA; MAR-Museu de Arte do Rio; Coleção Joaquim Paiva/Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; MAR- Museu de Arte do Rio; MAM-SP e Pirelli / MASP.

 

CRÍTICAS:

 

A fotografia de Guy Veloso desdobra-se em ângulos de captura da cena de exercício da fé. O conjunto transita entre a interioriridade do ser, o êxtase e o corpo em estado de  sublimação. Se é possível rezar sem entender as palavras (Derrida), em Veloso o espectador, não importa sua religião, comunga dos momentos de encontro com o sagrado. Contra as primazias e fundamentalismos religiosos, o artista aponta para a etimologia da palavra religião e a ideia de “religar” os homens acima de seus conflitos – Paulo Herkenhoff, catálogo 31º Arte Pará/2012 (artista convidado).

 

 

Fica transparente esta relação ambígua entre o que é devoção e o que é violência – Moacir Dos Anjos, curador, programa Artes Visuais Brasil, SESC TV, 2011.

 

 

A obra de Guy Veloso prima pelo trabalho com a luz. (...) Suas fotografias exploram gestos e feições limítrofes, muito próximas do esgotamento físico, da dor, do delírio e da paixão – Paulo Miyada, curador, texto da mostra “É preciso confrontar as imagens vagas com os gestos claros”, Oficina Cultural Oswald de Andrade, São Paulo-SP, setembro de 2012). Texto na íntegra.    

 

 

É impossível não intuir o cheiro da poeira e da terra pisadas pela multidão, o clamor de benditos e ladainhas elevando-se das imagens dramáticas e sofridas. (...) É o retrato granulado de uma redenção que não se consuma, de um Purgatório que continua ardendo, de um fim dos tempos que não se acaba – José de Souza Martins, sociólogo, Zum – Revista de Fotografia, Instituto Moreira Salles, 2012. Leia texto na íntegra.

 

 

As fotografias de Guy Veloso situam-se nesse universo no qual se interpõe invisíveis imagens e a estética por ele proposta se faz reconhecer –Marisa Mokarzel, curadora. Leia texto na íntegra.

 

 

Guy Veloso apresenta as suas fotografias de fé. Não uma fé dogmática ou sistemática, mas a que transparece em imagens surreais e fascinam pelo desconforto que nos causam – Simonetta Persichetti, O Estado de São Paulo, 20.09.2010.

 

 

Guy Veloso faz o trânsito entre fotografia documental clássica e ‘documental imaginário’. É uma nova força da fotografia documental brasileira que começa a despontar para o mundo - Eder Chiodetto, curador e fotógrafo, Revista Photo Magazine, no.41, 2012.

 

 

Este ano Arte Pará homenageia o artista Guy Veloso com sua obra dedicada aos encontros da fé. Sua câmera é tenaz na busca por imagens da rica diversidade religiosa brasileira das diferenças e as convergências. Um tempo de insidiosa intolerância das doutrinas fundamentalistas no Brasil e no mundo, Guy Veloso aposta na arte como lugar como lugar de diálogo e de entendimento para a construção do respeito devido por todos a cada um. Nessa compreenção podem estar soluções para a humanidade” – Paulo Herkenhoff, Arte Pará 2014.

 

 

As imagens de Guy Veloso surpreendem pelo non sense, pelo surreal, pela completa dissonância entre o mundo real e o outro mundo – Rubens Fernandes Júnior, curador.

 

 

Interessante um certo desconforto, um certo estranhamento que  provocam – Paulo Máttar, artista plástico e curador.

 

 

Veloso nos conduz por um país estranho, fascinante e sensual – Orlando Maneschy, fotógrafo e pesquisador.

 

 

A fotografia de Guy Veloso nasce de sua discrição em infiltrar-se e cultivar intimidades – Catálogo da 29ª Bienal de São Paulo/2010. Leia texto na íntegra. 

 

 

Penitentes de Guy Veloso reúne imagens com uma força que transcende a fotografia – Revista ARTE!Brasileiros, no. 07, 2010.

 

 

Há uma ambiguidade de sentido na representação dos homens encapuzados quando comparados aos violentos Ku-Klux-Klan, ao emblemático Chador das mulheres muçulmanas e aos sequestradores contemporâneos que evocam o clima de insegurança tão presente no mundo globalizado – Angela Magalhães e Nadja Peregrino, curadoras (texto do catálogo da mostra Un Certain Brasil, Pinghyao Festival, China, 2010).

 

  

É neste universo múltiplo e complexo que Guy lança um olhar que vai além das características de cada religião presentes na vida cotidiana dos brasileiros – Joana Mazza, curadora.

 

 

Guy Veloso mergulha na alquimia e na espiritualidade para representar um nível de conhecimento mais sutil. Ele torna o invisível visível –Claudia Buzzetti, curadora e Patricia Gouvêa, curadora e fotógrafa, texto da exposição Alquimia, 2010.

 

 

No Vale do Amanhecer, fiéis se vestem como reis e rainhas. Guy Veloso extrai dessa devoção alegórica um preto e branco faiscante, luz que estoura os limites da fotografia e parece descascar a película até o pó de prata. Veloso registrou homens e mulheres de um dos templos da doutrina. Olhos abertos formam um contraponto entre a crueza da fotografia e a teatralidade barroca da comunidade religiosa. São olhares em êxtase que ultrapassam os limites desse claro-escuro, numa vertigem quase colorida – Silas Martí, Sobre a 18ª edição da Coleção Pirelli-MASP, Jornal Folha de São Paulo, 2010.

 

 

O primeiro passo para fotografar um tema complexo como o das seitas religiosas é não ter seus dogmas e crenças próprias como um parâmetro para julgar a fé alheia. Só assim o fotógrafo estará apto a perceber as sutilezas ocultas nas diversas camadas simbólicas de uma crença. GuyVeloso se manteve nessa busca por mais de uma década até seus registros romperem com o padrão clássico do documentarismo para mergulhar numa estética renovada, na qual ele nos coloca em contato com uma nova ordem de dimensões. As imagens se tornam, assim, orgânicas. É como se não estivéssemos mais vendo fotografias ‘sobre’ algo mas a coisa em si. Por vezes é necessário experimentar, expandir a linguagem, romper com os manuais, para que o realismo irrompa com maior contundência – Eder Chiodetto, curador e fotógrafo, livro “Geração 00 – A Nova Fotografia Brasileira”, 2013.

 

Expoente do movimento testemunhal do Brasil, a obra de Guy Veloso resgata boa parte daquelas questões que fazem a identidade dos povos da América Latina. Na Argentina começou a ser conhecido por sua inclusão mostra “Imagens deste lado do Mundo” para a Red Cultural del Mercosul em 2007. Guy se integra a nova geração de autores testemunhais brasileiros seduzidos pela idéia de levar adiante um registro subjetivo e comprometido com um dos aspectos mais relevantes da cultura brasileira e, por extensão, a latino-americana, que se refere às práticas religiosas populares. Isto o conduziu a ser reconhecido em seu país e no exterior, com uma obra sólida, reveladora e com grandes valores estéticos –Revista Fotomundo, Argentina, 2008.

 

Imagens onde a técnica, mesmo muito presente, se dilui deixando o sensível se apresentar com toda sua força. Exercício de imagética carregado de subdivisões, a obra de Guy, lembra uma cebola, repleta de camadas, uma fotografia onde o mais instigante e valioso está em camadas inferiores, invisíveis a uma primeira sacada apresada e ansiosa, uma obra para corações calmos, fortes, e olhos atentos que permitam um contato com o que está dentro da foto, deixando o epitélio da imagem somente como figura de convite, que nos convidam de forma muito convincente –Marco Antonio Portela, fotógrafo e curador.  Texto na íntegra.

 

O fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa (Candomblé) – Jornal O Globo, 23.07.2012.

 

Mostra o candomblé com representações orgânicas, instáveis e cheias de movimento, como quem observa de dentro do acontecimento – Eder Chiodetto, curador, Jornal O Globo, 23.07.2012.

 

Seu propósito certamente não é desvelar o oculto, é fazer com que penetremos caminhos que tantos fizeram antes de nós – Armando Queiroz, artista plástico e curador, texto da exposição Êxtase, 2012. Texto na íntegra

 

Qual a fronteira entre a fotografia documental e a artística? Com Robert Capa, já não se podia traçar a linha, e com Guy Veloso também não é simples. No entanto, recentemente, o trabalho do paraense foi vetado por um importante site por supostamente não se tratar de arte. Seu apuro formal, as cores febris e o enquadramento dramático realçam a expressão, mais do que a informação, mas nem por isso convenceu a todos os críticos. Podemos inferir que tal rejeição se deva ao fato de Guy Veloso aparentemente aderir à religiosidade que retrata, em vez de analisá-la com olhar crítico. O transe fotográfico de Veloso concilia-se com o transe religioso, levantando uma questão que não é apenas teológica. A arte deve nos convidar a um estado de enlevo, como o frenesi do fiéis, ou a um olhar reflexivo, de uma distância estratégica? Ou, talvez, ambos, simultaneamente? – Rafael Campos Rocha, Revista DAS ARTES, Ed. Outubro de 2010.

 

Guy Veloso talvez tenha deixado a fotografia. Ou talvez tenha ido buscá-la em outras formas de encarnação, em manifestações mais sincréticas, mais impuras, como tantas entidades sagradas – Ronaldo Entler, crítico e escritor (sobre a instalação “Mortalhas”).

 

A fotografia aqui atende a duas premissas muito caras à produção contemporânea: o poético e a documentação. Seu discurso imagético é uma navegação por manifestações populares do Brasil profundo – Michel Pinho, historiador e fotógrafo. Leia texto na íntegra.

 

O transe, o movimento do corpo, a movimentação do grupo de onde a cena emerge e, rapidamente imerge, o ato social. Tudo é motivo de atenta investigação que ultrapassa o mero documentar – Armando Queiroz, curador-assistente do 33º Arte Pará (sobre mostra “Entre dois mundos: Pierre Fatumbi Verger e Guy Veloso”). Leia texto na íntegra.

 

A palavra religião vem do verbo latino religare, que significa religar os homens. Então se essa palavra, se essa força, se essa junção, se essa crença que é a fé pode trazer paz às pessoas, que voltemos à sua origem etimologia no sentido de conectar, e não de separar as pessoas. E ao mesmo tempo insistir que todos devemos respeitar a religião de cada um. No caso das religiões afro-brasileiras, esta violência está extremamente exacerbada, é algo que remonta a momentos obscuros da sociedade ocidental que é impor através de métodos sejam eles psíquicos, políticos, físicos etc. uma idéia sobre o outro. E ao mesmo tempo pensar que a tarefa dos que querem um mundo mais democrático é não só trazer essas religiões afrodescendentes à visibilidade, mas compreender que elas – como Verger compreendeu, como Rubens Valentim – não estão no campo do folclore, elas não estão no campo da superstição, mas elas estão no campo dos valores, os mesmos que ligam as pessoas – Paulo Herkenhoff(pronunciamento na abertura do 33ª Arte Pará, sobre Guy Veloso, artista homenageado).

 

Fotografar temas complexos, como o das seitas religiosas, implica não fazer juízo de valor. Só assim o fotógrafo pode perceber as sutilezas oculta nos simbolismos de uma crença. Guy Veloso rompe o padrão clássico do documentarismo para representar o transe da fé. A experimentação leva o artista a buscar sintonia com seu referente. Ao expandir a linguagem, arriscar-se em seus limites e romper os manuais, realismo e imaginário parecem encontrar um ponto de equilíbrio da representação – Eder Chiodetto, curador, exposição Documental Imaginário, Oi Futuro, Rio de Janeiro-RJ, 2012.

 

O fotógrafo parece ser parte da situação, sem lançar um olhar estrangeiro sobre ela. Cores, contrastes e pontos desfocados evidenciam o aspecto imaginário da festa – Audrey Furlaneto, jornal O Globo (sobre fotos de Candomblé na exposição Documental Imaginário, Oi Futuro, Rio de Janeiro-RJ), 23.07.2012.

 

Em Veloso, vemos como, através do corpo, instaura-se a presença de vibrações intensivas intempostíveis, a partir da devoção e da crença religiosa – Isabel Diegues, no livro Outras Fotografias na Arte Brasileira Séc. XXI, editora Cobogó, 2015.