Arnaldo Ferrari nasceu em São Paulo no ano de 1906 e faleceu na mesma cidade em 1974. Entre 1925 e 1935 realizou seu aprendizado artístico, no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e na Escola de Belas Artes de São Paulo. Aos 29 anos, manteve contato com o Grupo Santa Helena, plasmando sua personalidade à sombra da de seus mais proeminentes membros. Também pertenceu ao Grupo Guanabara, em São Paulo. Expositor do Salão Paulista de Arte Moderna, nele recebeu sucessivamente medalha de bronze (1952), de prata (1958), prêmio de aquisição (1959 e 1963), viagem ao pais (1961) e grande medalha de ouro (1966). Tomou parte em diversos outros certames, como os salões do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo, o Salão Nacional de Arte Moderna, a Bienal de São Paulo, a I Bienal Nacional de Artes Plásticas, em Salvador (1966) e o I Salão de Arte Contemporânea de Santo André (1968), no qual recebeu o primeiro prêmio de pintura. A carreira artística de Arnaldo Ferrari compreende dois períodos inteiramente diversificados entre si, representando seu turning point o conhecimento da obra construtivista de Joaquín Torres Garcia, em começos da década de 1950. Antes desse conhecimento, Ferrari obedecia aos postulados de um anêmico pós-impressionismo, que repartia com seus companheiros de geração, aquela que reagiu contra o academicismo de começos do Séc. XX em São Paulo. Ao tomar contato com os construtivistas, passou a estruturar geometricamente sua obra, se bem que a intervalos praticasse também uma pintura não-figurativista menos rigidamente ordenada. 

O crítico Theon Spanudis, comparando-o a Volpi - "que capta a essência etérea das coisas"- assim o define: «Ferrari pinta a densidade dos objetos, a sua materialidade, o seu peso, o seu enraizamento no solo. Ele não dissolve os objetos num vibrar irradiante. Desde o começo, é o materialista, o profundo metafísico da densidade da matéria.»